A adoção de inteligência artificial pode acrescentar até R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo da Reglab encomendado pela OpenAI. O valor corresponde a cerca de 7,6% do PIB estimado para 2026 e considera os ganhos de produtividade dos trabalhadores e a maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. Segundo o levantamento, o impacto seria gradual, acompanhando a expansão do uso da tecnologia por empresas, trabalhadores e governos.
As indústrias de transformação aparecem como o setor com maior potencial de ganho, com impacto estimado em R$ 264,2 bilhões no período, seguidas por outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e pelo comércio, com R$ 131,2 bilhões. No conjunto da economia, 65% do impacto projetado estaria relacionado ao aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto 35% viria da maior eficiência do capital. A proporção varia entre as áreas: na agropecuária, por exemplo, 92% do impacto seria associado a máquinas, equipamentos e infraestrutura, enquanto nas atividades financeiras, 87% estaria ligado à produtividade dos trabalhadores.
O estudo ressalta que o potencial econômico da IA não significa necessariamente substituição em massa de trabalhadores, já que a tecnologia tende a automatizar determinadas tarefas e complementar outras atividades. A pesquisa estima que a difusão da IA no Brasil poderá ocorrer de forma mais lenta devido a fatores como custo do crédito, diferenças entre empresas, falta de qualificação profissional e limitações de infraestrutura. Por isso, os R$ 986,7 bilhões são tratados como um potencial estimado, cuja concretização dependerá da velocidade de adoção da tecnologia e de investimentos em qualificação, infraestrutura digital, regulação, governança de dados e uso da IA nos serviços públicos.