O jornal The New York Times revelou que o financista Jeffrey Epstein pode ter deixado uma carta de suicídio enquanto estava preso, documento que permanece sob sigilo judicial. Segundo a reportagem publicada nesta quinta-feira (30), o bilhete teria sido encontrado em 2019 por seu então companheiro de cela, Nicholas Tartaglione, após Epstein ser achado inconsciente com um pano enrolado no pescoço dentro da prisão. Na ocasião, Epstein negou ter tentado suicídio e acusou Tartaglione de agressão, o que levou à sua transferência para outra cela dias antes de ser encontrado morto.
De acordo com o relato de Tartaglione ao jornal, o bilhete foi localizado dentro de um livro logo após a transferência de Epstein. O ex-policial, que cumpre prisão perpétua por homicídio, afirmou que o documento continha mensagens nas quais o financista dizia ter sido investigado por meses sem que nada fosse encontrado contra ele. Entre os trechos mencionados estão frases como “O que você quer que eu faça, que eu comece a chorar?” e “Hora de dizer adeus”. Tartaglione declarou ainda que entregou a carta ao seu advogado como forma de precaução, temendo novas acusações por parte de Epstein.
O jornal informou que o bilhete foi lacrado por ordem de um juiz federal e passou a integrar o processo criminal contra Tartaglione, sem ter sido acessado pelos investigadores responsáveis pela apuração da morte de Epstein. Um porta-voz do tribunal de Nova York não comentou o caso, enquanto o Departamento de Justiça afirmou não ter conhecimento do documento. A morte de Epstein, classificada oficialmente como suicídio, ocorreu poucos dias após sua prisão em 2019 por acusações de tráfico sexual e continua cercada por questionamentos, em meio a relatos de falhas na segurança da unidade prisional e à divulgação recente de materiais ligados às investigações do caso.