A estrutura de governança prevista pela SpaceX em sua abertura de capital estabelece que Elon Musk não poderá ser destituído dos cargos de diretor-executivo e presidente do conselho sem seu próprio consentimento. A informação consta em documentos preparados para o IPO e analisados pela Reuters, indicando que apenas os detentores de ações Classe B — que possuem maior poder de voto — podem deliberar sobre sua remoção. Como essas ações permanecerão sob controle do próprio Musk após a oferta pública, qualquer decisão nesse sentido dependeria diretamente de sua influência.
O modelo acionário proposto divide os papéis da empresa em duas classes: ações Classe A, destinadas ao público investidor, e ações Classe B, com direito a dez votos por unidade, concentradas em pessoas ligadas à companhia. De acordo com o documento, caso Musk mantenha uma participação significativa dessas ações ao longo do tempo, ele continuará controlando tanto a eleição quanto a possível destituição da maioria do conselho. A própria empresa alertou investidores de que essa estrutura poderá limitar a capacidade de interferência em decisões corporativas e na composição da diretoria.
Especialistas em governança corporativa apontam que, embora estruturas com múltiplas classes de ações sejam comuns em empresas de tecnologia, a configuração apresentada pela SpaceX difere de práticas tradicionais. Em geral, conselhos de administração mantêm autoridade formal para substituir executivos, mesmo em companhias com forte presença de fundadores. Casos semelhantes foram adotados por empresas como Facebook e Figma, que também concentraram poder de voto em acionistas específicos, mas a extensão do controle previsto no modelo da SpaceX dependerá dos detalhes finais dos documentos legais.