O dólar encerrou esta segunda-feira (13) em queda e voltou a ficar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024, em um dia marcado por volatilidade no mercado de câmbio. Apesar de ter iniciado o pregão em alta, impulsionado pela aversão ao risco diante das incertezas geopolíticas, a moeda norte-americana inverteu o movimento ao longo da tarde. A mudança ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de retomada das negociações de paz com o Irã. Ao final do dia, o dólar registrou recuo de 0,30%, cotado a R$ 4,996, após atingir a mínima de R$ 4,983.
O comportamento da moeda refletiu o cenário internacional instável, especialmente em meio à falta de avanços concretos nas tratativas envolvendo o conflito no Oriente Médio. Em geral, períodos de incerteza global tendem a fortalecer o dólar, considerado um ativo seguro. No entanto, analistas apontam que o contexto atual tem gerado dúvidas em relação à própria economia dos Estados Unidos, que enfrenta alto nível de endividamento e pode ter seus gastos ampliados em função de tensões externas, pressionando a moeda. No mesmo período, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes, também apresentou queda.
Ao longo de 2026, a moeda norte-americana já acumula desvalorização de cerca de 9% frente ao real. Especialistas atribuem o movimento a uma combinação de fatores, incluindo o aumento da percepção de risco associado à política econômica dos Estados Unidos, avaliações elevadas de empresas americanas e o ambiente de instabilidade geopolítica global. Esse cenário tem levado investidores a redirecionar recursos para mercados emergentes, como o Brasil, considerados mais atrativos no momento. A migração de capital, com a venda de ativos em dólar e compra de ativos em reais, contribui diretamente para a queda da moeda norte-americana frente à brasileira.