Os Estados Unidos afirmaram ver o Brasil como um parceiro “muito promissor” na área de minerais críticos e disseram estar explorando ativamente oportunidades para ampliar a cooperação bilateral. A declaração foi feita pelo secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr, durante coletiva online nesta quarta-feira (11). Segundo ele, o Brasil é considerado estratégico tanto por suas vastas reservas naturais quanto pela sofisticação e diversificação de sua economia, fatores que o colocam em posição relevante nas cadeias globais de suprimento desses insumos.
Na semana passada, o governo liderado por Donald Trump reuniu o Brasil e dezenas de outros países em Washington para apresentar uma proposta de formação de um bloco comercial voltado a minerais críticos. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência externa e fortalecer parcerias consideradas confiáveis. Orr evitou detalhar possíveis termos de negociação, incluindo preços, mas afirmou que o processamento dos minerais poderá ocorrer tanto em território brasileiro quanto nos Estados Unidos. Ele também mencionou a possibilidade de apoio financeiro por meio da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC), que já apoia projetos no Brasil, como os das empresas Aclara e Serra Verde.
O interesse americano se intensificou após restrições chinesas à exportação de terras raras terem impactado mercados globais, afetando setores estratégicos como o automotivo e o tecnológico. Nesse contexto, o Brasil ganha destaque por seu potencial em minerais como terras raras, cobre, níquel e nióbio. O país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, embora ainda conte com poucos projetos em operação. Paralelamente, Washington lançou o chamado Projeto Vault, com bilhões de dólares em financiamento inicial, buscando estruturar uma rede internacional de fornecimento com países que tenham capacidade de mineração ou refino.