O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou nesta segunda-feira que a inteligência artificial tem potencial para gerar avanços significativos, especialmente em áreas como a pesquisa médica, mas alertou para riscos reais e crescentes que, segundo ele, exigem a intervenção do poder público estadual. Durante um evento na Florida Atlantic University, em Jupiter, DeSantis disse que a tecnologia já dificulta distinguir o que é real do que é falso e defendeu a criação de regras para limitar abusos por parte das empresas que desenvolvem sistemas de IA. Ele também declarou que a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump, que tenta impedir estados de criarem regulações próprias, não impediria a Flórida de agir.
DeSantis apresentou uma série de propostas que estão alinhadas com debates já em curso no Legislativo estadual, incluindo medidas para impedir que seguradoras usem apenas inteligência artificial para negar ou ajustar indenizações e para evitar que consumidores residenciais arquem com custos extras de energia gerados por grandes centros de dados de IA. O governador também defendeu um “Bill of Rights” da inteligência artificial, que prevê, entre outros pontos, a obrigação de informar cidadãos quando estiverem interagindo com chatbots, a proibição do uso de ferramentas de IA desenvolvidas na China por órgãos públicos e restrições ao uso de IA como substituta de terapeutas ou conselheiros de saúde mental licenciados.
O debate foi reforçado por depoimentos de pais que relataram tragédias envolvendo jovens influenciados por chatbots, incluindo tentativas de suicídio e danos psicológicos graves, além de alertas de autoridades de segurança cibernética sobre o uso da IA para fraudes, desinformação e crimes digitais. Para DeSantis, a rápida expansão da tecnologia, aliada à pressão econômica sobre as empresas de IA, pode intensificar esses problemas se não houver limites claros. Ele defendeu que o Estado tem o direito de agir enquanto não houver uma legislação federal abrangente e reiterou que a prioridade deve ser proteger os cidadãos, especialmente crianças e adolescentes, dos efeitos mais nocivos da inteligência artificial.