A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que contou com ajuda do governo dos Estados Unidos para conseguir deixar a Venezuela, apesar da proibição imposta pelo regime de Nicolás Maduro. Machado viajou a Oslo, na Noruega, para receber pessoalmente o Prêmio Nobel da Paz, após meses vivendo escondida. Reportagens apontam que a opositora utilizou um disfarce, cruzou dez postos militares e saiu do país de barco pelo mar do Caribe, em direção a Curaçao, antes de embarcar rumo à Europa. Segundo o Wall Street Journal, os EUA foram informados previamente para evitar qualquer risco durante sua fuga.
A fuga de Machado ocorre em meio a denúncias de que o governo Maduro fez “o possível” para impedir sua saída do país, inclusive mantendo vigilância intensa sobre sua movimentação. Ela agradeceu publicamente às pessoas que arriscaram suas vidas para ajudá-la e afirmou que seu objetivo é levar ao mundo o que acontece na Venezuela. A opositora reiterou críticas ao regime e disse estar determinada a lutar até que a Venezuela volte a ser um país “livre e democrático”. Machado também afirmou que pretende retornar ao país levando consigo o Nobel, apesar das ameaças de prisão por parte do governo. Para ela, este momento representa uma “virada histórica”, sustentada pela sensação de que “o mundo está do lado dos venezuelanos”.
Questionada sobre uma possível intervenção militar dos EUA na Venezuela, Machado respondeu que, na prática, o país “já foi invadido”, referindo-se à atuação de agentes da Rússia, Irã, grupos como Hezbollah e Hamas, além de guerrilhas colombianas e cartéis do narcotráfico. Ela argumentou que essas forças operam livremente com apoio do regime Maduro, transformando a Venezuela em um polo do crime organizado nas Américas. Por fim, Machado afirmou que parte da fuga só foi possível graças à colaboração de alguns membros do próprio governo Maduro, um gesto que, segundo fontes citadas pela Bloomberg, foi interpretado por aliados do presidente Donald Trump como sinal de abertura para um possível acordo político caso Maduro deixe o poder.