A aprovação do chamado “PL da Dosimetria” pela Câmara dos Deputados gerou ampla repercussão na imprensa internacional, sobretudo por seu potencial de reduzir drasticamente a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos de prisão por golpe de Estado. Segundo os veículos estrangeiros, a votação chamou atenção não apenas pelo impacto jurídico do projeto, mas também pelo clima de caos que tomou conta do plenário durante a sessão, marcada por tentativas de boicote, tensão entre deputados e a inclusão repentina da proposta na pauta. Agora, o texto segue para análise do Senado, onde deve ser votado ainda este ano, antes de ser enviado ao presidente Lula para sanção ou veto.
Jornais como Bloomberg dos Estados Unidos e El País Uruguai destacaram principalmente a diferença entre a pena atual e a que Bolsonaro poderia cumprir caso o PL seja aprovado integralmente. A imprensa uruguaia chamou atenção para a fala do relator Paulinho da Força, que estimou a redução da pena para cerca de dois anos e quatro meses, número que repercutiu amplamente fora do Brasil. Já a Bloomberg ressaltou a coincidência entre a aprovação do projeto e a recente pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, pontuando o possível impacto político da mudança na dosimetria das penas.
Outros veículos, como o suíço Swiss Info, o francês Le Parisien e o argentino Todo Noticias, concentraram-se no tumulto que marcou a sessão, mencionando desde ocupações irregulares da mesa diretora até a expulsão de parlamentares pela polícia legislativa. Esses jornais também observaram que o projeto foi pautado de surpresa, acirrando ainda mais os ânimos no Congresso. Embora celebrem a aprovação, setores da oposição seguem pressionando por uma anistia ampla a Bolsonaro, enquanto a imprensa internacional ressalta que a decisão final sobre as penas continuará nas mãos do Supremo Tribunal Federal.