EUA pressionam Maduro a deixar a Venezuela durante ligação considerada último esforço diplomático

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O governo dos Estados Unidos intensificou sua pressão sobre a Venezuela ao transmitir, em um telefonema recente, que Nicolás Maduro só teria garantias de passagem segura caso deixasse o poder imediatamente, segundo fontes ouvidas pelo Miami Herald. A ligação, que teria ocorrido na semana passada, buscava evitar uma escalada militar iminente, mas rapidamente encontrou um impasse diante das exigências incompatíveis entre Washington e Caracas. Enquanto os Estados Unidos solicitaram a saída imediata do líder venezuelano para permitir a restauração da ordem democrática, representantes do regime propuseram manter o controle das Forças Armadas e entregar apenas o comando político à oposição, ponto rejeitado pela administração Trump.

A conversa ocorreu em meio aos preparativos americanos para uma fase mais agressiva de operações militares contra o chamado Cartel de los Soles, classificado pelos EUA como organização terrorista estrangeira e supostamente liderado por Maduro e outros altos funcionários. Trump afirmou que ações terrestres dentro da Venezuela começarão “muito em breve”, ampliando uma estratégia que até então se concentrava na destruição de embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe. O telefonema teria travado após três demandas venezuelanas: anistia total, controle das Forças Armadas e ausência de renúncia imediata, todas rejeitadas por Washington, que manteve a exigência de saída imediata do presidente.

A tensão aumentou ainda mais após Trump anunciar que o espaço aéreo “acima e ao redor da Venezuela” deve ser considerado totalmente fechado, medida interpretada como sinal de um ataque iminente. Em resposta, Caracas tentou estabelecer novo contato com os Estados Unidos, mas não obteve retorno. Paralelamente, os EUA ampliaram a presença militar no Caribe, enviando o porta-aviões USS Gerald R. Ford, navios de guerra, um submarino nuclear e jatos F-35 para a região. A classificação do Cartel de los Soles como organização terrorista abriu base legal para ações mais amplas, enquanto o governo venezuelano denuncia o movimento como justificativa para uma intervenção estrangeira.

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