Aeronave oficial da Venezuela voa até o Brasil após alerta americano sobre espaço aéreo

Por Márcio Jandrey, Portal América.

Um avião da Venezuela viajou para a fronteira com o Brasil em meio à crescente pressão militar exercida pelos Estados Unidos no Caribe. Segundo dados do ADSB Exchange, que monitora informações de voo em tempo real, a aeronave, um Airbus A-319 de matrícula YV2984, operado pela estatal Conviasa, decolou de Caracas e seguiu até Santa Elena de Uairén, a cerca de 10 km da linha fronteiriça com Roraima, retornando em seguida às proximidades da capital venezuelana. O modelo é descrito como uma aeronave VIP utilizada pelo alto escalão do governo e já foi empregado por Nicolás Maduro em viagens oficiais.

De acordo com o ADSB Exchange, o pouso ocorreu no aeroporto de Santa Elena de Uairén, ponto estratégico por estar a poucos minutos de Paracaima, no lado brasileiro. Embora a aeronave integre a frota usada pelo regime, não há indicações de que Maduro estivesse a bordo. Fontes militares e civis consultadas pela CNN afirmaram que, até o momento, não houve qualquer contato do líder venezuelano com autoridades brasileiras. O Exército brasileiro na região de fronteira também confirmou que não recebeu sinais ou alertas sobre eventual tentativa de fuga. O avião está na lista de sanções da Ofac desde 2020, podendo ser apreendido se entrar em território dos Estados Unidos ou de países aliados.

A movimentação ocorre enquanto Washington intensifica advertências sobre segurança aérea na Venezuela. Neste sábado (29), Donald Trump declarou que o espaço aéreo sobre e ao redor do país deve ser considerado “totalmente fechado”, ampliando tensões após alertas recentes da FAA sobre riscos decorrentes do aumento da atividade militar venezuelana. Em resposta, o chanceler Yván Gil classificou o pronunciamento como uma “ameaça colonialista”. Paralelamente, Caracas revogou as autorizações de seis companhias aéreas internacionais que suspenderam operações após o alerta americano. O governo Trump afirma que supostos grupos de narcotráfico ligados ao regime seguem como alvo de futuras ações, enquanto a Venezuela rejeita qualquer envolvimento e nega a existência do Cartel de los Soles.

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