Estados Unidos criticam prisão de Bolsonaro e acusam Moraes de violar Estado de Direito

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A reação da embaixada dos Estados Unidos à prisão de Jair Bolsonaro intensificou ainda mais o clima político entre Brasília e Washington. A publicação divulgada no X de Christopher Landau, vice-secretário de Estado, trouxe críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela decisão de decretar a prisão preventiva do ex-presidente. No texto, Landau acusa Moraes de violar direitos humanos, extrapolar limites institucionais e comprometer a credibilidade internacional do Supremo Tribunal Federal. A manifestação gerou forte repercussão, marcando uma rara intervenção pública de autoridades americanas em um processo judicial brasileiro, e foi rapidamente acolhida por aliados de Bolsonaro no país.

Eduardo Bolsonaro respondeu à declaração de Landau agradecendo o apoio e comparando a situação política brasileira aos regimes da Nicarágua e Venezuela, reforçando a narrativa de perseguição e arbitrariedade. O deputado afirmou que não há mais expectativa de justiça dentro das instituições brasileiras, alegando que elas teriam sido “consumidas pelo vírus da censura”. O tema também chamou atenção de Donald Trump, que, ao ser questionado por jornalistas em frente à Casa Branca, classificou como “uma pena” a prisão de Bolsonaro, reforçando a linha crítica adotada por membros do governo americano.

A prisão preventiva foi decretada após a constatação de que Bolsonaro tentou violar sua tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda, o que, segundo Moraes, indicava clara intenção de fuga. A decisão se baseou em evidências apresentadas pela Secretaria de Administração Penitenciária e pelo Centro de Monitoração Integrada, que registraram avarias significativas no equipamento. O ministro destacou ainda que manifestações convocadas por aliados, como a vigília organizada por Flávio Bolsonaro, poderiam facilitar uma fuga, especialmente considerando a proximidade da residência do ex-presidente com áreas diplomáticas. O ministro também relembrou precedentes de aliados que deixaram o país para tentar evitar ações judiciais, justificando a necessidade da medida preventiva.

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