Trump lamenta prisão de Bolsonaro e diz que situação é “uma pena”

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O presidente Donald Trump classificou como “uma pena” a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida neste sábado (22). Questionado por jornalistas, o republicano demonstrou surpresa ao ser informado da detenção, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro foi levado para a sede da Polícia Federal em Brasília após a Procuradoria-Geral da República concordar com a prisão. A decisão apontou riscos à ordem pública e indícios de que o ex-presidente articulava uma fuga, o que teria sido reforçado pela violação de sua tornozeleira eletrônica durante a madrugada.

Segundo o despacho de Moraes, a tornozeleira apresentou sinais evidentes de tentativa de rompimento, com marcas de queimadura e danos estruturais. Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento, afirmando ter começado a mexer nele ainda na tarde de sexta-feira. O ministro também destacou que uma vigília convocada por Flávio Bolsonaro em frente à residência do pai poderia facilitar uma eventual fuga, além de repetir estratégias atribuídas à organização criminosa da qual Bolsonaro é acusado de fazer parte. Outro ponto levantado por Moraes foi a proximidade da casa do ex-presidente com o Setor de Embaixadas, incluindo a embaixada dos EUA, o que poderia viabilizar um pedido de asilo semelhante ao plano de fuga para a embaixada da Argentina identificado pela Polícia Federal.

A repercussão da prisão de Bolsonaro reacende a relação política entre o ex-presidente brasileiro e Donald Trump, que já havia se posicionado diversas vezes contra o processo judicial no Brasil. Em publicações anteriores, Trump classificou o julgamento como “caça às bruxas” e chegou a citar o caso de Bolsonaro no decreto que instituiu tarifas sobre produtos brasileiros, afirmando que o ex-presidente era alvo de violações de direitos humanos. Entretanto, nos últimos meses, o republicano havia diminuído os comentários públicos sobre o assunto, enquanto seu governo reavaliava medidas tarifárias contra o Brasil. A detenção de Bolsonaro, somada ao histórico de declarações de Trump, coloca novamente o tema no centro das atenções diplomáticas entre Brasília e Washington.

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