Zohran Mamdani foi eleito prefeito de Nova York nesta terça-feira (4), segundo projeções da imprensa americana, em uma disputa que ganhou contornos nacionais. Com 50,3% dos votos, o democrata derrotou o ex-governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa, tornando-se o primeiro muçulmano a comandar a maior cidade dos Estados Unidos. A vitória representa também uma derrota política para o presidente Donald Trump, que tentou interferir na eleição ao pedir votos contra Mamdani e ameaçar cortar verbas federais para a cidade caso ele fosse eleito. Aos 34 anos, o novo prefeito também entra para a história como o mais jovem a assumir o cargo desde o século 19.
Durante a campanha, Mamdani construiu uma imagem de político carismático e conectado aos eleitores mais jovens, especialmente por meio das redes sociais. Sua trajetória, que começou no ativismo comunitário e na Assembleia Estadual de Nova York, ganhou destaque nacional por suas posições progressistas, incluindo a defesa da Palestina e críticas às ações de Israel em Gaza. Apesar de enfrentar resistência de setores mais tradicionais do Partido Democrata, Mamdani conquistou apoio popular ao abordar temas como o alto custo de vida, o acesso à moradia e o transporte público, desafios centrais na vida dos nova-iorquinos. Sua linguagem direta e a postura próxima às comunidades de imigrantes contribuíram para uma vitória considerada histórica.
A eleição também foi marcada por tentativas de nacionalização do debate político. Adversários republicanos e até o próprio Trump classificaram Mamdani como “radical” e “comunista”, enquanto grupos conservadores espalharam ataques religiosos, associando-o ao extremismo islâmico. Mesmo assim, o democrata manteve vantagem nas pesquisas e consolidou uma base eleitoral diversificada. Com a vitória, Mamdani promete inaugurar uma nova fase na política de Nova York: mais inclusiva, socialmente orientada e voltada para a redução das desigualdades, em contraste com o modelo que dominou a administração da cidade nas últimas décadas.