O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que Brasil e África do Sul foram incluídos na “Lista de Observação do Nível 2” do relatório anual Trafficking in Persons (TIP), que avalia o combate ao tráfico humano no mundo. Segundo o documento, ambos os países não demonstraram avanços suficientes no enfrentamento de crimes como o trabalho forçado, o tráfico sexual e outras formas de exploração, mesmo com esforços reconhecidos.
No caso do Brasil, o relatório apontou que o governo reduziu o número de investigações e processos relacionados ao tráfico humano em comparação com anos anteriores, além de os tribunais terem relatado menos condenações iniciais. Ainda que tenha reconhecido iniciativas relevantes, como a continuidade de programas de fiscalização, o documento destaca que o país precisa ampliar sua atuação para evitar sanções adicionais por parte dos Estados Unidos. Já sobre a África do Sul, o texto citou a criação da primeira força-tarefa subprovincial e o aumento de condenações contra traficantes, mas ressaltou que houve queda no número de vítimas identificadas e casos investigados.
A administração Trump reforçou que a decisão faz parte de uma política mais ampla de defesa de valores americanos e combate a regimes considerados hostis. O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o tráfico humano como um “crime devastador” que fortalece organizações criminosas e ameaça a segurança nacional dos EUA. Paralelamente, membros do Congresso expressaram preocupação com o atraso de quase três meses na divulgação do relatório, atribuído à redução de mais de 1.300 funcionários no Departamento de Estado, o que diminuiu drasticamente a equipe responsável pela elaboração do TIP.