Uma nova pesquisa revelou um dado curioso sobre os hábitos dos trabalhadores norte-americanos: em vez de usar suas férias para viajar, conhecer novos lugares ou passar tempo em atividades de lazer, uma parcela significativa da população tem escolhido simplesmente descansar em casa. O levantamento, conduzido pela Amerisleep.com com mais de 1.200 participantes, mostrou que 37% dos entrevistados utilizaram seus dias de descanso remunerado apenas para dormir e recuperar energia. A tendência é mais acentuada entre os millennials, grupo no qual 43% afirmaram usar o tempo livre para esse propósito, seguidos por 34% da geração X, 33% da geração Z e apenas 20% dos baby boomers. Para especialistas, esse número chama atenção porque revela um novo comportamento no mercado de trabalho dos Estados Unidos, onde a fadiga e o esgotamento parecem ter se tornado fatores determinantes nas escolhas pessoais.
O conceito de PTO (Paid Time Off), que em tradução livre significa “tempo livre remunerado”, é uma prática adotada por empresas nos Estados Unidos como uma forma de permitir que os funcionários se afastem temporariamente do trabalho sem prejuízo salarial. Diferente de sistemas rígidos, em que há separação entre férias, licenças médicas e folgas, muitas companhias oferecem hoje pacotes mais flexíveis que reúnem todos esses dias em um único banco, cabendo ao trabalhador decidir como e quando utilizá-los. Em alguns casos, o benefício é até ilimitado, o que amplia a autonomia dos empregados, mas também reforça a responsabilidade individual sobre como administrar esse recurso. Esse modelo, que ganhou força especialmente no setor privado, transformou-se em uma das principais ferramentas de gestão do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, ainda que o seu uso mostre realidades distintas entre diferentes gerações e faixas de renda.
O principal fator para que tantos americanos estejam trocando viagens por descanso simples está ligado a dois pontos centrais: o aumento do custo de vida e o cansaço generalizado provocado pelas exigências do trabalho moderno. Com despesas elevadas em transporte, hospedagem e alimentação, muitas famílias têm encontrado barreiras financeiras para realizar férias tradicionais, preferindo economizar e usar o tempo para repor o sono em casa. Além disso, o fenômeno do burnout, cada vez mais presente, tem feito com que trabalhadores priorizem a recuperação da saúde física e mental. Especialistas apontam que o fenômeno mostra uma mudança cultural: o descanso básico deixou de ser visto como luxo ou preguiça e passou a ser reconhecido como necessidade. Isso sugere que, em vez de diminuir, a prática de usar o PTO para dormir pode se intensificar nos próximos anos, refletindo um mercado de trabalho sobrecarregado e uma sociedade cada vez mais cansada.