Os principais bancos brasileiros com atuação internacional, como Banco do Brasil, Santander e Itaú Unibanco, foram notificados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, para esclarecer como estão cumprindo as restrições da Lei Magnitsky. A medida ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter sido incluído na lista de sanções, tornando-se o primeiro brasileiro diretamente atingido pela legislação.
O episódio intensifica a tensão diplomática entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil, além de gerar impacto direto sobre o sistema financeiro. Em agosto, o Banco do Brasil chegou a bloquear cartões de crédito de Moraes emitidos por bandeiras americanas, como Visa e Mastercard, oferecendo-lhe um cartão Elo, marca brasileira livre das sanções. A legislação americana proíbe transações com empresas americanas e estende seu alcance a instituições estrangeiras que operem no país, estabelecendo multas que podem chegar a US$ 250 mil, além de possíveis investigações criminais com penas de até 20 anos de prisão.
Além do setor bancário, empresas de tecnologia como Apple, Google, Meta e Amazon também estão legalmente obrigadas a monitorar e relatar qualquer movimentação financeira, digital ou contratual ligada a pessoas sancionadas. A expectativa é que essas companhias reforcem controles internos para evitar punições próprias, já que a Lei Magnitsky, criada inicialmente para punir violações de direitos humanos e corrupção grave, prevê responsabilização ampla a quem mantiver relações comerciais com os alvos.